A energia solar que faz o Brasil crescer

Setor fotovoltaico é um protagonista relevante para uma retomada econômica sustentável e competitiva do país no curto, médio e longo prazos.

  • Por Rodrigo Sauaia com Ronaldo Koloszuk

Em momentos de grandes crises globais, autores e historiadores identificam setores, agentes e indivíduos específicos, que demonstram níveis excepcionais de criatividade, adaptabilidade e resiliência, com reflexos de ordem econômica, social, geopolítica ou ainda sanitária.

No período atual, países, empresas e pessoas enfrentam as consequências da pandemia de COVID-19 – e batalham pela construção de soluções que apontem os caminhos para a saída desta crise planetária, imprevista e profunda, a maior em um século de história da humanidade.

Surpreendendo as tendências negativas decorrentes da tormenta da pandemia, a energia solar fotovoltaica tem se apresentado como uma verdadeira “luz no horizonte”, com força, resiliência e versatilidade. O setor é visto atualmente como um protagonista relevante para uma retomada econômica sustentável e competitiva do Brasil, no curto, médio e longo prazos.

Levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) aponta que 2020 foi um ano de novos recordes para a fonte solar fotovoltaica no País. O setor atraiu mais de R$ 13 bilhões em investimentos no ano, considerando as grandes usinas e os sistemas de geração em telhados, fachadas e pequenos terrenos. O resultado inédito representa um crescimento de 52% em relação aos investimentos acumulados no País desde 2012.

Estes investimentos criaram mais de 86 mil novos empregos em 2020, espalhados por todas as regiões do território nacional. No acumulado, desde 2012, a fonte solar fotovoltaica já movimentou mais de R$ 38 bilhões em negócios e gerou mais de 224 mil postos de trabalho. Só em 2020, as contratações cresceram 62% em relação aos empregos gerados no País entre o início de 2012 e o final de 2019.

Em capacidade de geração de energia elétrica limpa e renovável por meio do sol, o País saltou de 4,6 gigawatts (GW) ao final de 2019 para 7,5 GW ao final de 2020, crescimento de 64%, mesmo em meio a um ano desafiador de pandemia global, somando as usinas de grande porte (geração centralizada) e os pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos (geração distribuída). Isso representa mais da metade da potência instalada na usina hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil e segunda maior do planeta.

Em 2020, o mercado solar fotovoltaico proporcionou mais de R$ 3,9 bilhões em arrecadação aos cofres públicos, acréscimo de 52% em relação ao total arrecadado no período entre 2012 e 2019.

No segmento de geração centralizada, o Brasil possui 3,1 GW de potência instalada em usinas solares fotovoltaicas, o equivalente a 1,6% da matriz elétrica do País. Em 2019, a solar foi a mais competitiva entre as fontes renováveis nos dois Leilões de Energia Nova, A-4 e A-6, com preços-médios abaixo dos US$ 21,00/MWh. Em 2020, o Governo Federal não realizou novos leilões de energia renovável, devido à pandemia.

Atualmente, as usinas solares de grande porte são a sétima maior fonte de geração do Brasil, com empreendimentos em operação em nove estados brasileiros, nas regiões Nordeste (Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), Sudeste (Minas Gerais e São Paulo) e Centro-Oeste (Tocantins). Os investimentos acumulados deste segmento ultrapassam os R$ 15 bilhões.

Ao somar as capacidades instaladas nos segmentos de geração distribuída e geração centralizada, a fonte solar fotovoltaica ocupa o sexto lugar na matriz elétrica brasileira, atrás das fontes hidrelétrica, eólica, biomassa, termelétricas a gás natural e termelétricas a diesel e outros combustíveis fósseis. A fonte solar já representa uma potência instalada 32% maior do que a somatória de toda geração de termelétricas a carvão e usinas nucleares, que totaliza 5,6 GW.

No segmento de geração distribuída, são 4,4 GW da fonte solar fotovoltaica, que representam R$ 20 bilhões em investimentos acumulados desde 2012, espalhados pelas cinco regiões do Brasil. A tecnologia solar é utilizada atualmente em 99,9% de todas as conexões de geração distribuída no País, liderando com folga o segmento.

O Brasil possui mais de 350 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, trazendo economia e sustentabilidade a cerca de 450 mil unidades consumidoras. Eles estão presentes em todos os Estados brasileiros, sendo os 5 maiores em potência instalada, respectivamente: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Paraná.

Embora tenha avançado nos últimos anos, o Brasil – detentor de um dos melhores recursos solares do planeta – continua com um mercado solar ainda pequeno e muito aquém de seu potencial. Há mais de 85 milhões de consumidores de energia elétrica no País, porém apenas 0,5% faz uso do sol para produzir eletricidade.

Vale lembrar que a energia solar fotovoltaica reduz o custo de energia elétrica da população, aumenta a competitividade das empresas e desafoga o orçamento do poder público, beneficiando pequenos, médios e grandes consumidores do País. O setor solar fotovoltaico trabalha para acelerar a expansão renovável da matriz elétrica brasileira, a preços competitivos. Trata-se da fonte renovável mais barata do Brasil, que ajuda o País a crescer com cada vez mais competitividade e sustentabilidade.

A energia solar terá, portanto, função cada vez mais estratégica para o atingimento das metas de desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil, inclusive ajudando na retomada sustentável da economia, por ser a fonte renovável que mais gera emprego e renda no mundo.

Não precisamos ir muito longe para constatar a função estratégica da tecnologia fotovoltaica. Projeções da ABSOLAR para 2021 apontam que a fonte solar deverá gerar mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros no ano, espalhados por todas as regiões do País. Os investimentos anuais do setor poderão ultrapassar a cifra de R$ 22,6 bilhões, somando os segmentos de geração distribuída e centralizada.

Na avaliação da ABSOLAR, em 2021 serão adicionados mais de 4,9 GW de potência instalada. Isso representará um crescimento de mais de 68% sobre a capacidade instalada atual do País. As perspectivas para o setor são de chegar ao final deste ano com um total acumulado de mais de 377 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre todos os elos produtivos do setor.

Assim como no ano passado, a maior parcela destes novos postos de trabalho deverá vir do segmento de geração distribuída, que será responsável por mais de 118 mil empregos neste ano. Dos R$ 22,6 bilhões de investimentos previstos para este ano, a geração distribuída corresponderá a cerca de R$ 17,2 bilhões, ou seja, mais de três-quartos do total.

Para a geração distribuída solar fotovoltaica, a ABSOLAR projeta um crescimento de 90% frente ao total já instalado até 2020, passando de 4,4 GW para 8,3 GW. Já no segmento de usinas solares de grande porte, o crescimento previsto será de 37%, saindo dos atuais 3,1 GW para 4,2 GW.

A entidade projeta, ainda, que o setor solar fotovoltaico brasileiro será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais de mais de R$ 6,7 bilhões neste ano. Isso contribui para o fortalecimento dos orçamentos públicos e a prestação de melhores serviços para a sociedade brasileira. O valor já contabiliza a economia dos consumidores em suas contas de eletricidade, mostrando que o benefício econômico do setor é favorável também para o poder público.

A energia solar é estratégica para acelerar a retomada econômica sustentável do Brasil, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do País. Também reduz o custo de energia elétrica da população, aumenta a competitividade das empresas e desafoga o orçamento do poder público, beneficiando pequenos, médios e grandes consumidores brasileiros.

Rodrigo Sauaia é Co-fundador e CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Co-fundador e membro do conselho de diretores do Global Solar Council (GSC), entidade global que unifica e representa o setor de energia solar em nível internacional. Ph.D. com honras em Engenharia e Tecnologia de Materiais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil), com uma colaboração internacional com o Instituto Fraunhofer para Solare Energiesysteme (Fraunhofer ISE, Alemanha), um M.Sc. com honras em Energias Renováveis com Especialização PV do EUREC Master Program, com uma colaboração internacional com o ETH Zürich (Suíça), e um B.Sc. com honras em Química pela Universidade de São Paulo (Brasil).

 

 

 

 

Ronaldo Koloszuk é presidente da Absolar, diretor da Fiesp e diretor comercial da Solar Group

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